sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Eu tenho um protesto

A quem interessar...
Eu tenho um protesto

Disseram para me calar. Disseram que não valeria à pena. Eu mesmo acreditei nessas mentiras. Já me perguntaram se simplesmente escrever gerava alguma ação...
Agora eu me lembro que nada pode ser mais poderoso do que a palavra bem empregada. E mesmo assim, ainda fazemos guerras... Mesmo nos considerando civilizações avançadas, mesmo acreditando na ciência, na tecnologia, e em Deus.
O que tem haver? Hoje, eu tenho um protesto.
Cada um tem seu motivo para escolher sua profissão, nobre ou não. Isso não é da minha conta. Mas está bem claro pra mim, que escolher medicina faz com que a sociedade nos veja com mais dignidade, porque a partir desse momento estamos abdicando de boa parte da nossa vida para cuidar do outro. Tudo o que você aprende é para tratar do outro. O mínimo de compaixão, acredito, é necessário.
Não é novidade que o sistema de saúde no Brasil não garante o mínimo necessário para compaixão. E por isso, aprendemos que devemos escolher quem merece o único leito disponível. E quem se responsabiliza pelos que ficaram sem leito? E se faltam médicos? E se faltam exames? E ainda, e se falta compaixão? O paciente deixa de ser um ser humano e passa a ser um “problema” e vai sendo transferido de especialidade...
E você, doutor, deixou a sua família para cuidar da família de outro. Deixou seu filho, para salvar a vida do filho de outro, deixou seu marido/esposa para salvar a vida de outro. Você esqueceu os seus problemas, para transformar essa vida em outro problema?
Não seria mais fácil todos se ajudarem? Porém o mais fácil parece um caminho árduo, porque é trilhado no caminho da mudança.
Eu só estou começando, ainda acredito num mundo melhor, acredito em sustentabilidade, e vi muitos desistirem.
Vi um lugar onde a excelência de ser médico não existe para muitos profissionais, e pessoas que tentaram mudar essa realidade foram caladas ou foram embora. Porque não quererem manchar suas mãos seus diplomas, por nada.
Esse protesto é para acordar a compaixão desse país, “abençoado por Deus?”. É para pedir que se mantenha em mim a necessidade eterna da mudança, porque o abandono também não resolve, apesar de às vezes, nada ser mais digno.
Esse protesto é contra a nossa obrigação de “puxa-saco”. É para nos fazer lembrar que precisamos acreditar que nossas vozes podem ser ouvidas. Só precisamos gritar as palavras certas. Não vestir camisetas “no-sense”, arriscando perder o que podemos ter de melhor, o orgulho de ser médicos. Porque ainda podemos nos orgulhar de sermos bons em cuidar dos outros, em amparar, compreender, dar qualidade de vida e qualidade de morte, porque está na nossa mão conduzir o cuidado, mas ainda assim precisamos dos outros profissionais.
Protesto para lembrarmos como é importante cada professor que temos, como cada um deles nos torna aquele profissional que seremos. Então, protesto por essa instituição perder um dos melhores mestres em ensinar que já tive. Alguém que me mostrou além da necessidade dos conhecimentos teóricos, também o amor em trabalhar, alguém que trata seu paciente como igual, me ensinando o verdadeiro significado da compaixão. O professor Fernando Bellíssimo lutou pelos ideais dos alunos e dos pacientes, não há palavras para descrever essa injustiça.
Esse protesto é para pedir, a Deus talvez, que olhe por nós, para que eu não mude meus ideais, por nosso Hospital-Escola que tanto necessita da sua abençoada atenção, já que aqui, NINGUÉM “pode” fazer nada.

domingo, 27 de abril de 2008

Paris, 1941



Hipocrisia... Eu já fui hipócrita! E não me orgulho disso, mas também não me envergonho de ter mudado algumas opniões, de aprender e recuar... E sempre que necessário, peço desculpas...
Não adianta apagar o que fizemos, não adianta simplesmente não comentar, ou queimar as fotos que registraram o envento, às vezes não adianta nem se desculpar... Nada enfim, apaga o que foi dito, feito, ou não feito. Nada.

Só nos resta, então um consolo, melhorar... E mesmo assim, chegamos a precisar cometer o mesmo erro mais de uma vez.


Há uma exposição de fotografias causando polêmica na França.
São fotos tiradas pelo fotógrafo francês André Zucca, retratam Paris durante a ocupação alemã.
Eu vejo provas dos acontecimentos.
O grande problema é que nas fotos aparecem pessoas despreocupadas e felizes. Não se vê os aspectos dramáticos vivido no período, como as longas filas de espera em frente às lojas de alimentação ou a perseguição e deportação de judeus.


A história:
As fotos foram tiradas para a campanha nazista.


Hoje, em pleno século XXI ainda é necessário explicar,em miúdos, a arte.
O grande problema, pelo o que eu entendi é que não mostra os dois lados da moeda. Havia sofrimento, mas também não havia, porém havia sofrimento!
Querem cancelar a exposição. O que há de tão temeroso em se mostrar a verdade??


Essas são fotos da exposição. Tirado daqui: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/04/080424_parisocupadaexpodf.shtml
Apagar essas fotos não apaga o que aconteceu, existiam pessoas despreocupadas com a vida. E deixar elas para exercer sua função de reveladoras da verdade, não apaga o fato de que existiu sofrimento na época. A grande importância é saber, o que você vai fazer com a informação, depende de você.

quinta-feira, 20 de março de 2008

O UNIVERSO E O PORQUÊ

O UNIVERSO

Assista esse incrível vídeo We Are Here: The Pale Blue Dot ("nós estamos aqui: o pálido ponto azul"), no qual o astrônomo Carl Edward Sagan narra alguns dos pensamentos que lhe vieram à mente quando viu a famosa foto que a sonda espacial Voyager 1 tirou do planeta Terra, a uma distância de mais de 6 bilhões de quilômetros.




Foi daqui que eu tirei o vídeo.
Eu não tenho mais declarações sobre o filme, ele ainda te faz pensar na insignificância daquela briga, daquela raiva, daqueles "problemas"...

O PORQUÊ
Por que você escreve? Você não vai mudar nada!
Um dia, postaram em um dos meus textos, que tudo o que eu sabia fazer era falar... Que o que mais importa são ações...
Não duvido.

A fundamental importância que me faz escrever, é acreditar que eu posso formar idéias, eu posso formar inteligência, formar pensamentos... Você pode não ver nenhuma ação nisso, ou mudança. Mas cada interrogação que você se fizer, toda vez que você aprender sobre algo, toda vez que pensar de uma forma diferente, isso foi uma ação.

Porque só uma coisa pode mudar alguma realidade, a informação = conscientização.

O motivo desse blog, é eu poder escrever sobre a liberdade de pensar! Quem, exerce essa liberdade??

Escrever, é o motivo egoísta da minha essência, mas é também uma maneira de ajudar, porque eu não faço apologias à diminuição do QI, eu rogo pelas mentes de pessoas como eu, pois como eu discuti hoje com minha amiga:
o futuro está nas mãos da classe média, que tem acesso a internet e todo meio de comunicação e ensino, porque deles dependem pensar e lutar por uma política melhor, infelizmente, estes estão entretidos com a "dança do créu" e o BBB.

sábado, 15 de março de 2008

Por amigas preciosas que tenho, parem de fumar!!

Todos nós temos sonhos, sonhos irreais até... E sempre algumas pessoas nos dizem que eles nunca vão se realizar, esteja certo que essas pessoas não são seus amigos. Porque amigo que é amigo, confia em você. Amigo que é amigo, mesmo você ficando em 2.000º lugar em medicina no vestibular da VUNESP não te desanima: “Você vai conseguir.” Amigo que é amigo, mesmo quando o cara não olha pra você, ainda te consola: “Mas você já conversou com ele?” Mesmo você esgasgando permanentemente naquele frase: “T.A. é... T.A. é Tabagistas... O que é mesmo?” Mesmo assim eles acreditam que você possa ser um bom orador.
Foram amigas desse “naipe” que acreditaram em mim, que no meu pior momento de oradora, acreditaram que eu poderia representar alguma coisa, e acreditam no meu sonho e pior, incentivaram. O que seria da minha vida se não fossem minhas amigas?
Só posso dizer uma coisa: eu, definitivamente não estaria aqui. E agradeço a todos que passaram na minha vida até hoje.
Enfim, o fato é que a apresentação se sucedeu, eu não engasguei, fui até fluente, riram das minhas piadas, o que não é de se esperar, mas... Sempre tem um mas... Mas teve uma pergunta... Aquela pergunta... Que a Nikita, brilhantemente respondeu... E depois, teve outra pergunta, e foi a vez da Paula, e por fim, eu também me soltei... Estávamos em casa... Foi uma apresentação perfeita. Muitíssimo elogiada.
Quisera eu, poder encontrar palavras para agradecer a confiança das minhas amigas em mim...
Faltam palavras...

Para a apresentação surgiu um vídeo, de conscientização, espero poder ajudar à todos...
PAREM DE FUMAR!!!

quinta-feira, 13 de março de 2008

Liberdade da Diferença!

E por falar em liberdade, vamos falar da liberdade da diferença...
Copiar é para os fracos!
Ok, nada tão extremo.
Mas vale de alerta para as nossas crianças, nós estamos fazendo uma sociedade doente para vocês: ditadura da beleza, da moda, da tecnologia, do dinheiro, da fama... Atributos necessários para ser feliz, que parecem ser impossíveis de alcançar.
A Dove, corajosamente está promovendo campanhas de conscientização sobre o marketing. Até onde esse padrão de beleza é possível de alcançar? Necessário? Por que distorcer tanto a beleza? A busca irreal pelo perfeccionismo no photoshop...
“Converse com a sua filha, antes que a indústria da beleza o faça".


Essa é a frase presente no vídeo da marca. Faz pensar.
Na escola a criança sofre a maior dificuldade por ser diferente, porque a sociedade não é preparada para aceitar a diferença, criamos pessoas frustradas e infelizes.
Na TV, nas revistas, na Internet, não é diferente, e pior, não é real.
Precisamos repensar os nossos padrões de beleza, precisamos incentivar a diversidade, a individualidade, a diferença... Não padrões de estética para vender marca.
Esses padrões de belezas escabrosos que são expostos: mulheres magérrimas, desnutridas, doentes, morrendo...
O que é ser bonito? Quem decide o que é ser bonito?
Nós compramos a marca. Quanto influenciamos nessa ditadura?
É, meus textos voltaram a ter muito mais dúvidas do que afirmações...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

A Tropra, a Elite e a Favela


Há um tempo um amigo meu me pediu para tecer um comentário sobre “Tropa de Elite” o filme, sabe agora esse meu amigo que não sou muito boa com promessas. Calma João... rs
Não se falava em outro assunto e nada em particular me ocorria. Não tinha, na verdade, uma opinião formada. Às vezes me enchia de raiva e queria que a polícia saísse “pegando” os traficantes. Entendo que violência gera mais violência, e foi o que confirmei por uma reportagem na revista Superinteressante sobre o assunto, onde ela aponta que a criminalidade e o homicídio aumentaram no Rio de Janeiro com a implementação da polícia mais violenta, como o BOPE, e diminuíram em São Paulo, que partiu do pressuposto contrário.
Em meio às guerras que se formaram nas favelas entre policial e bandido, e pessoas inocentes morrendo, não deveria ser com punho de ferro que se resolveria tudo.
Às vezes ainda tenho raiva.
O filme foi um sucesso no Brasil, eu particularmente gostei muito. Bem dirigido, bem escrito, emocionante, com violência apelativa, típico filme hollywoodiano.
Hoje o que mais me chamou atenção é que ele está concorrendo ao Urso de Ouro, e a crítica dos gringos foi massacrante.
Não vi claramente críticas sobre o filme, em termos de filmagem, direção, atuação, essas coisas, plausíveis de se imaginar, agora estamos preocupados com o conteúdo, com a expressão, com o que vendemos.
Nossos filmes são muito criticados pelo apelo. “Por que mostrar tanta violência? Tanta pobreza?”
O que me enraivece agora é o fato das pessoas quererem tapar o sol com a peneira. Não fazemos filminhos pra fingir que nosso país é harmônico, não fazemos filminhos para fingir que as pessoas não morrem, que nossos heróis são perfeitos. Não vivemos o “doce sonho americano”. Um dia um avião cai.
Melhor deixar de sonhar e estar acordado.
Por que as pessoas criticam tanto a verdade que é retrata? Nossos políticos saem imunes sim... Pessoas cometem infrações no trânsito todos os dias, sem terem multas, sim... Existem homossexuais sim e existe relação sexual entre mulheres...
Eu queria saber por que ninguém comenta o fato da classe média e alta contribuírem com o tráfico? Por que ninguém fala sobre os jovens que ao comprarem drogas para se divertir inconscientemente, “inocentemente”, investem em mortes?
Então eu digo: Mauricinhos, Patricinhas, vocês são SIM responsáveis TAMBÉM pela morte de inocentes nas favelas, pelo aumento da criminalidade e pela nossa sociedade doente.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Liberdade!


Foto: Renan Duarte reage com sarcasmo à proibição de “Counter-Strike” (Foto: Renato Bueno/G1)
Nada melhor para o primeiro blog que trata sobre a liberdade um assunto polêmico, foi proibida a comercialização do jogo Counter Strike em todo Brasil.
"A venda dos jogos Counter Strike e EverQuest está proibida em todo território nacional. A decisão, tomada por um juiz da 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais em outubro, começou a ser cumprida só na quinta-feira (17), em Goiás, pelo Procon (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor), de acordo com a assessoria de imprensa do órgão." Folha Online.
Vamos as justificativas:os jogos "trazem imanentes estímulos à subversão da ordem social, atentando contra o estado democrático e de direito e contra a segurança pública, impondo sua proibição e retirada do mercado", diz o nosso excelentíssimo juiz Carlos Alberto Simões de Tomaz, responsável pela medida.
O que mais será proibido? Talvez devessem proibir os assaltos, os assassinatos, a corrupção(seria realmente legal), quem sabe poderiam proibir o "mensalão".
Num Estado fragmentado, como o nosso, com tantas faltas e falhas, é um grito de desespero. Não conheceço o jogo, não sei o quão violento ele pode ser, mas já vi meu irmão jogar muitos jogos bem violentos. Concordo que muito desses estimulos degenera o senso crítico da criança, principalmente daquelas que não têm base familiar sólida, mas também é necessário uma suscetibilidade genética. Sim, aquela regra um em um milhão. Talvez a porcetagem seja maior.
Infelizmente esse não é o caminho. Sendo assim, proibiríamos os filmes violentos: Pare Hollywood!!!!
A luta contra a violência se faz com educação, com bom exemplo, com segurança, com liberdade!
Sempre terão os suscetiveis, que precisarão de um pouco estímulo para desenvolver sua necessidade sanguinaria, esses deverão ser punidos e até mesmo re-estimulados positivamente.
O que não podemos é aceitar que o Estado, novamente, fragmentado, nos proíba de decidir, de jogar, de comprar. O Estado, deve proteger, deve sim, fazer leis, mas deve ser coerente com o direito de todo cidadão. Deveria ser comprovado o perigo real, mas o risco depende de várias variáveis, já citadas.
Partilho das idéias do Reginaldo Araújo, "Não conheço os jogos, mas considero um absurdo que o Estado através do Poder Judiciário influa na liberdade das pessoas, quando se sabe que coisas altamente nocivas como o cigarro o álcool a tortura praticada principalmente por agentes desse Estado, permeie a vida da sociedade; ademais que autoridade pode ter um Estado que escalpela as pessoas com uma carga tributária assombrosa que beneficia apenas cerca de 5% da população que se locupleta, rouba, extorque, enquanto nós que pagamos recebemos escolas que não alfabetizam, serviços de saúde que não funcionam, sem falar das outras obrigações constitucionais que não são cumpridas."
Encerro a defesa, por favor, senhores do judiciário, voltem a trabalhar em casos realmente necessários para a segurança nacional, paremos de brincar com o dinheiro público. E Senhores cidadãos usem seu direito de pensar. Sua liberdade máxima!!