domingo, 15 de março de 2009

Meninos bons de briga


Eu trabalho numa churrascaria nos fim de semanas. Fico na porta recepcionando os clientes e sorrindo para agradecer suas presenças.

Atrás de mim fica o parquinho para as crianças. É sempre uma festa. E quando vão embora, os pais têm que arrastá-las, e elas saem aos gritos, os mais agressivos, grudando na porta.

Em geral, pra mim não há problemas, de vez enquando aparece um pequeno pra me pedir alguma coisa, ou é um brinquedo que está errado, ou é uma goteira molhando o escorregador, ou a janela que abriu, ou o coleguinha que monopolisou o brinquedo. De repente, sinto alguém batendo na minha perna, olho pra baixo e vejo aqueles olhinhos pidões:
_Tia, a bolinha caiu lá em cima!
E eu olho para um lugar impossível de se alcançar. Existem milhões de bolinhas no chão, mas o dedinho minúsculo e gordinho aponta para aquele única, escolhida, amarela bolinha em cima do lugar impossível.

Porém, na maioria das vezes não tenho contato com as crianças, só de vez enquando dou uma olhada pelo vidro, pra ver se está tudo bem e vejo elas se divertindo. E sempre estão lá, felizes de escorregar e pular. Altamente sociáveis e amigáveis. E compartilham tudo.

Ontem, eu estava na porta, tranquila, esperando pelos clientes, quando de repente escutei um barulho de choque contra a parede de vidro. Primeiro, não dei muita atenção, mas na segunda vez eu olhei. Um garoto segurava a cabeço do outro contra o vidro. Então eu vi uma bochecha amassada, e o outro preperando um soco.
Meninos brigam, mas aqueles iam se matar. Quando o valentão viu que eu estava olhando, soltou o outro e o jogou longe.
Um tempo depois, os dois estavam se atracando de novo.
O que apanhava, só apanhava, e ficava caçoando do valentão, esse era "corajoso"(!?)
O outro parecia irritado, e avisava para ele parar, apontava o dedo e dizia alguma coisa, mas não tinha jeito, o outro ria, era o jeito bater.
Bati no vidro, e fiz que não com o dedo, pra tentar apaziguar momentaneamente ou os dois iam se machucar sério.
Mas um minuto depois e já estavam um por cima do outro.
Eu tinha que trabalhar. Voltei para minhas obrigações, e mais tarde reparei que brincavam normalmente, esquecendo aquele problema sério pelo qual tanto se batiam...
Ah... crianças...

sábado, 14 de março de 2009

Uma lei pela semelhança.

Depois de muitas crises e re-iniciações, parece que o computador voltou ao normal... Aff...


Estou um pouco sem assunto também... Vi que existiu um encontro entre nosso presidente e Obama, interessante... ou nem digno de nota...

Antes não tinha muito o que pensar sobre o Presidente Negro Americano, que foi como ele se elegeu, achava que as pessoas estavam criando expectativas demais, só por causa da cor da pele dele.

Não existe diferença entre as etnias... E é justamente isso. Como ele poderia ser um excelente presidente também poderia não ser.

Então, ele fez algo que me fez criar simpatia por ele. Assinou uma lei que proíbe salários diferentes entre homens e mulheres, nos Estados Unidos.


E voltamos a questão da semelhança.

Não é de se espantar que pra nós, não é obvio que pessoas que fazem o mesmo serviço, deveriam receber o mesmo salário? Século XXI.
Mesmo, assim, foi necessário uma lei, para estancar o machismo.

Corajoso e digno esse Obama.

Tá, você pensa que eu estou de acordo, só porque ele apóia minha causa.
Mas eu penso que esse é um bom começo. Que bons frutos venham daí.
E que o resto do mundo espelhe esse hábito.

I´m back!!!




Parte da minha vida pára quando fico sem computador... Em contar meu desespero e angústia...
Não tenho palavras para descrever a alegria em tê-lo de volta.
E tb tem a falta de tempo... A sempre falta de tempo!!!!
Que desculpinha esfarrapada, né?

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Fome, por opção!



Ontem passava em frente a televisão enquanto ia à cozinha pegar café, quando uma reportagem sobre modelos me chamou a atenção. Estava passando no programa Fantástico da Rede Globo.

Eu gosto muito de moda, não para exaltar um senso ridículo de marca, mas pela arte. E pela beleza. Acho as modelos bonitas, mas não concordo com muita coisa, como toda profissão e seus problemas.

Para ser tão magra quanto modelos, é necessário muita renúncia, e muitas garotas estão realmente desesperadas e compenetradas à isso. Não digo simplesmente que é insanidade, não é ofensa, mas é necessário um olhar atento ao perigo. A linha que beira a morte em muitos casos, infelizmente não raros, é tênue.



É interessante como as pessoas gostam de assitir a pressão que aquelas garotas passam, lembrando muito um vestibular, onde você é selecionado e selecionado, e de repente descartado por não ser bom o suficente. Igual à tudo o que acontece no nosso mundo real. Mas ali é mais interessante. E elas são tão novas aqui...

Logo me irritei. Porque tantos problemas de saúde e emocionais que poderiam ser abordados aqui foram interrompidos quando elas imploravam desesperadamente por chocolate. Então colocaram uma geladeira cheia de doces para as "torturar". E as filmavam desesperada, lutando contra o instinto e o desejo. Correndo embaixo do edredon para roubar o pedacinho de doce.

E a narração as chamavam de "desesperadas", "famintas", as criticando. Mostrando-as bizarras, lambuzadas de chocolate, como se fosse crime se divertir com o nosso ponto fraco. Quem narrou aquela cena, provavelmente nunca sorriu com os dentes sujos de comida, constrangido por ser pego, rindo da cena e contemplado por bons amigos.



Já é tão dificil, já é tão frágil. E quem não tem assunto pra vender, piora o que já não é bom.
Não terminei de ver o que aconteceria em seguida, se eles se desculpariam. Se conscietizariam. Se manipulariam mais. Tudo estava estragado.

Por fim, me conformei com a distorção da mídia. Sempre esteve aí. E esse espelho você pode substituir por uma TV.


"Eu sou assim, mas a TV mostra isso..."

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Um momento para rezar



Eu estava saindo do carro, guardando minhas coisas como sempre faço, lembrando de pegar as chaves de casa, caso roubem o carro, tenho como entrar em casa.
Carregava várias coisas enquanto pedia a Deus para olhar pelo carro também. Alguns passos depois foi quando me dei conta da tolice.
Já fazia algum tempo que não rezava. E quando falo com Deus é para pedir para cuidar do meu carro? Que loucura é essa?
Fiquei um pouco abalada por isso. Dei uma olhada para trás, pensei o quanto seria desagradável perder o carro, o estresse, a raiva que eu teria de alguém, mas então me lembrei da dor que é perder alguém querido.
Não havia dúvidas, ali havia perigo, porém talvez não há nada que Deus posso fazer por nós, a não ser acreditar que vamos fazer escolhas melhores. Então eu fiz pelo menos uma. Até chegar no hospital pedi que Deus cuidasse da minha mãe, do meu irmão, da minha família, dos amigos, e de tantas pessoas queridas que faz tempo que não vejo e se desse tempo mantivesse os ladrões longe daquela área.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Inspiração...



Tenho falado muito como é difícil às vezes ter sobre o que falar. Escrever é isso... Pra mim, às vezes flui... Outras vezes, porém parece uma estiagem infindável, torturante, agonizante... Você espreme tudo para ver se sai uma gota qualquer de coerência, mas sem inspiração, nada se junta...

A verdade é que não é falta de assunto. Porque no fim das contas, assunto não falta. Ele está lá em algum lugar, mas essa energia misteriosa para alcançá-lo, a sacada, é o que falta.

Eu fico perdida...

E não é falta de vontade...

Parece que falta energia, sabe quando você quer correr o mais rápido possível, mas não tem mais pique? Quando você quer comer, mas não cabe na sua barriga? É uma tensão sem fim.

E de repente ela vem... A inspiração surge tão misteriosa como se foi... E tudo volta a ser colorido de novo. Meu coração bate mais rápido quando estou inspirada... Quase esqueço de respirar... Na verdade, eu fico apaixonada pela inspiração. É sempre amor... Mesmo quando é ódio o que escrevo...

Escrever, pra mim, não é só desabafo. É amar. Não é só passa-tempo. É alimento. Nunca me dei conta de como preciso sonhar...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Um pouco de insanidade...



Hoje falarei da minha insanidade. De algumas coisas que me atormentam... Além de todas essas maluquices que acontecem pelo mundo...
Tenho medo de morrer, como qualquer mortal. Eu também não sei o que me aguarda do outro lado, se é que existe outro lado, no entanto não tenho medo de pensar a respeito. Porque eu sou um ser pensante. E se Deus me fez assim, me fez para pensar...
“Ter medo faz bem.” ... ? ... !
Nos faz fugir do perigo. Quem foge do perigo sobrevive. Logo, o medo seleciona os genes. Sendo assim, de acordo com a evolução nós sobreviventes somos um bando de covardes...
Ok, ok... Nada tão generalizado... São apenas mais das minhas alucinações...
Viemos pra cá sem saber, estamos aqui sem saber... E continuamos nos machucando, sem saber...
Sabemos o que é ruim e o que é bom, mas continuamos machucando...
Só quero viver cem anos de amor e paz...
Ah, minha pobre insanidade...