
Ontem passava em frente a televisão enquanto ia à cozinha pegar café, quando uma reportagem sobre modelos me chamou a atenção. Estava passando no programa Fantástico da Rede Globo.
Eu gosto muito de moda, não para exaltar um senso ridículo de marca, mas pela arte. E pela beleza. Acho as modelos bonitas, mas não concordo com muita coisa, como toda profissão e seus problemas.
Para ser tão magra quanto modelos, é necessário muita renúncia, e muitas garotas estão realmente desesperadas e compenetradas à isso. Não digo simplesmente que é insanidade, não é ofensa, mas é necessário um olhar atento ao perigo. A linha que beira a morte em muitos casos, infelizmente não raros, é tênue.

É interessante como as pessoas gostam de assitir a pressão que aquelas garotas passam, lembrando muito um vestibular, onde você é selecionado e selecionado, e de repente descartado por não ser bom o suficente. Igual à tudo o que acontece no nosso mundo real. Mas ali é mais interessante. E elas são tão novas aqui...
Logo me irritei. Porque tantos problemas de saúde e emocionais que poderiam ser abordados aqui foram interrompidos quando elas imploravam desesperadamente por chocolate. Então colocaram uma geladeira cheia de doces para as "torturar". E as filmavam desesperada, lutando contra o instinto e o desejo. Correndo embaixo do edredon para roubar o pedacinho de doce.
E a narração as chamavam de "desesperadas", "famintas", as criticando. Mostrando-as bizarras, lambuzadas de chocolate, como se fosse crime se divertir com o nosso ponto fraco. Quem narrou aquela cena, provavelmente nunca sorriu com os dentes sujos de comida, constrangido por ser pego, rindo da cena e contemplado por bons amigos.

Já é tão dificil, já é tão frágil. E quem não tem assunto pra vender, piora o que já não é bom.
Não terminei de ver o que aconteceria em seguida, se eles se desculpariam. Se conscietizariam. Se manipulariam mais. Tudo estava estragado.
Por fim, me conformei com a distorção da mídia. Sempre esteve aí. E esse espelho você pode substituir por uma TV.

"Eu sou assim, mas a TV mostra isso..."